Você deve estar se perguntando o que o SOLARSOUL tem a ver com os Indígenas do Brasil?

A resposta é simples e direta: TUDO.

Este disco é a celebração e registro histórico deste momento em que a consciência humana planetária desperta de uma espécie de adormecimento, de limbo.

Enquanto boa parte da humanidade volta a redescobrir valores fundamenteis para a boa existência coletiva da vida no Planeta Terra, os Povos Indígenas como crença geral, cada um a sua maneira e cultura. Estes povos sempre mantiveram aceso e vivo estes valores arraigados e assimilados como tônica central de suas atitudes e conduta de vida, nos contextos individuais, sociais coletivos e em relação ao eco-sistema a sua volta.

E este é o ponto de partida do álbum, dessa Odisséia Sonora Solar. A faixa “UM” fala da origem do mal na espécie humana, da desconexão de nossa espécie com o Uni Universo Vivo, e da falta de senso de unidade que acometeu nossa espécie, senso este presente em tudo que é vivo.

Mas embora esta falta de senso de unidade tenha se tornado a tônica da existência de boa parte dos seres humanos, alguns poucos e preciosos mantiveram este saber fundamental vivo e aceso.

Os índios sabem muito bem que somos algo, mas que não possuímos nada. Quando o ser humano acreditou que algo ou um pedaço de terra era dele, ele acaba por perder todo o Universo, e todo o senso cognitivo com a vida num sentido Amplo e maior. E essa perda de senso de unidade é a origem de todo Mal.

SOLARSOUL é totalmente contrário a forma como o Governo atual, e todos os anteriores, tratam as questões Ambientais e principalmente contra o desrespeito na maneira como os Povos Indígenas Brasileiros estão sendo tratados nessa terra que veio a ser convencionada como Brasil.

Mesmo antes deste país se chamar “Brasil” os habitantes Originais e Ancestrais deste lugar já viviam em total harmonia e respeito com a Natureza e o Eco-sistema local, e acima de tudo, sabiam que a Terra não lhes pertence, apenas lhe foi emprestada pelo Grande Espírito, para que pudéssemos ter nossas necessidades reais materiais vitais saciadas, e com isto tivéssemos condições tranqüilas e confortáveis, do ponto de vista material, de nos dedicar a nossa real prioridade: nosso desenvolvimento intelectual e espiritual tendo como objetivo o cuidado, manutenção e evolução de tudo o que é realmente VIVO a nossa volta.

Os Índios nunca se intitularam os “donos” da terra. Curiosamente estrangeiros chegaram aqui há 500 anos e se acharam no direito de tomar posse do lugar. Bom, já que a sociedade que vivemos se fundamenta na propriedade privada, e na posse de terra e bens naturais que deviam servir gratuitamente a todos, se existe um dono dessa terra, são os que já estavam nelas antes de alguma outra pessoa chegar.

Os índios não querem ser donos de nada, eles querem que a harmonia do lugar onde vivem seja preservada para que dessa harmonia venha o sustento necessário para a existência digna. Não visam acúmulo, exploração, lucro desmedido. Eles entendem a diferença entre ter dinheiro e ser Rico com “R” maiúsculo. Uma pessoa pode possuir muito dinheiro, e nenhuma Riqueza.

Riqueza é a capacidade de que com a energia, condição ou dinheiro que uma pessoa tem em mãos, possa gerar bem estar e evolução para toda a Vida que existe a sua volta, incluindo cada ser humano e toda a grande teia da vida que forma nosso Planeta Terra.

Os índios sabem que devemos manter o ar e as águas limpas, cuidar das florestas, dos animais, e dos nossos irmãos humanos. Eles sabem que dinheiro (se acabarem os recursos naturais, nossa real riqueza) não se respira, bebe ou come.

E em breve cada vez mais vamos sentir essa lição na pele, e as dores e problemas que esta lição venha a nos acarretar, para que um dia em breve venhamos realmente a perceber que tudo que possui vida é uma coisa só interligada e que vem da mesma fonte, e que se a raça humana não souber conviver com este fato em respeito e harmonia, não vai haver mais muito espaço pra gente por aqui neste planeta. E muito possivelmente, em nenhum outro local do Universo.